domingo, 23 de agosto de 2015

ricardo motta informa que administrou "plenamente" a Assembleia.

O deputado estadual Ricardo Motta (PROS) negou, através de nota oficial enviada ontem, à redação da TRIBUNA DO NORTE, qualquer conhecimento prévio das investigações do Ministério Público sobre o esquema de desvio de verbas da Assembleia Legislativa através de cheques-salário.

Presidente do Legislativo no período de fevereiro de 2011 a janeiro de 2015, Motta assegura, na nota, que “sempre esteve a par dos assuntos administrativos da instituição”. 

Ele afirma que o interesse na reunião de um ano atrás na qual, segundo o Ministério Público, estava sendo traçada uma estratégia comum para obstacular as investigações  foi motivada porque, “com certeza, ali se tratava de questões institucionais, sem qualquer vinculação com as investigações do Ministério Público então em curso, e atualmente objeto do noticiário.” 

De acordo com os promotores Keiviany Silva de Sena, Hellen de Macêdo Maciel, Hayssa Kyrie Medeiros Jardim e Paulo Batista Lopes Neto, que investigam o caso e assinaram o documento encaminhado à Justiça, a reunião referida foi realizada nas dependências da Assembleia Legislativa no dia 20 de agosto do ano passado e contou com a presença, além da procuradora Rita das Mercês Reinaldo; do ex-secretário financeiro da Casa, Rodrigo Marinho; da chefe do Núcleo de Administração e Pagamento de Pessoa, Marlúcia Maciel, e do gerente da agência do banco Santander da AL, Oswaldo Ananias.

O grupo teria, ainda segundo o MP, recebido do jurista Paulo de Tarso Fernandes, consultor jurídico especial da presidência do Poder Legislativo, orientações de como montar uma estratégia comum para que os servidores intimados respondessem às investigações da Promotoria do Patrimônio Público. 

O nome do deputado Ricardo Motta é citado, na petição dos procuradores à Justiça, com o pedido de prisão, afastamento das funções e sequestro de bens dos acusados, porque após essa reunião uma ligação telefônica entre ele e a procuradora Rita das Mercês Reinaldo foi interceptada. 


Na conversa, o deputado quer saber do resultado da reunião e recebe a informação de que “Tá tudo tranquilo. Paulo é tranquilo né, já acalmou aqui...tá mais tranquilo”. O deputado, ainda na conversa, lamenta que “é problema demais, onde a gente se vira bronca!”. E após perguntar se “vai dá tudo certo?”, avisa que vai dar “uma passadinha” na Assembleia para se encontrar com Paulo de Tarso.

 Ricardo Motta nega, na nota, que tivesse conhecimento prévio da investigação do Ministério Público Estadual e considera “afrontosa” à sua honra qualquer afirmação sobre “ajudar quem possa à Instituição ter causado prejuízo.” 

Leia a integra da nota enviada ao jornal:


“A respeito de matéria de hoje (ontem) da Tribuna do Norte, afirmo que durante minha Presidência na Assembleia, de fevereiro de 2011 a janeiro de 2015, sempre estive a par dos assuntos administrativos da Instituição,
inteirando-me de tudo quanto tivesse pertinência com as questões institucionais da Casa.

Com referência a eventual interesse meu na reunião reportada pela Tribuna do Norte, afirmo categoricamente que com certeza ali se tratava das mesmas questões institucionais, sem qualquer vinculação com as investigações do Ministério Público então em curso, e atualmente objeto do noticiário.

Quanto a essas investigações, declaro que jamais interferi de qualquer maneira em questões a elas pertinentes, e só tomei conhecimento de tais investigações quando agora vieram a público.

Como Presidente da Assembleia cumpri meu dever de administrar plenamente a Casa, sendo afrontosa à minha honra e dignidade a afirmação de que procurei interferir em investigação, ou ajudar quem possa à Instituição ter causado prejuízo. 

Ricardo Motta - Deputado Estadual”. 


TRIBUNA DO NORTE
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Sabe-se agora que o gerente de um banco privado participava de reuniões para tratar de assuntos institucionais da ALRN.

Leia o trecho do MPRN publicado pela Tribuna do Norte:


Que tipo de assunto institucional geraria intranquilidade em alguns servidores da ALRN ao ponto de ser necessária a intervenção do consultor jurídico?

Que 'bronca" institucional teria levado tais servidores a se reunirem até as seis e oito da noite?

O que um gerente de banco privado fez numa reunião sobre assuntos institucionais da ALRN?

O deputado informa que administrou "plenamente" a Assembleia e sempre esteve a par dos assuntos administrativos. Postura importante e diametralmente oposta a tese de que a folha da AL pudesse acoitar um exército de fantasmas durante o seu exercício da Presidência no quadriênio 2011-2015.

Vale lembrar que o foco da investigação do MPRN é o período 2006-2011.

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