Por César Santos
A diretora de empreendimentos da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), Geni Formiga, fez um diagnóstico negativo da saúde financeira da companhia.
Em entrevista ao programa “Panorama 95”, na Rádio Rural de Caicó, ela disse que a Caern começa a enfrentar crise financeira e não descartou o enxugamento do quadro de pessoal como medida para enfrentar o momento de dificuldade.
Demissão, em outras palavras.
O quadro pintado pela dirigente causa surpresa, uma vez que até pouco tempo a Caern estava entre as 250 melhores empresas do Brasil, inclusive, sendo premiada pela Revista Época, do sistema Globo de comunicação.
É preciso verificar o que está acontecendo na companhia. Primeiro, observar o histórico recente.
Há pouco mais de quatro anos, a Caern estava quebrada, com dívidas que se arrastava há anos e, totalmente deficitária, dependia do cofre do Estado para completar o pagamento das despesas mensais, inclusive com pessoal.
Foi preciso uma gestão saneadora, austera e eficiente, conduzida pelo engenheiro Iuri Tasso, nomeado pela então governadora Rosalba Ciarlini com a missão de reconstruir a companhia.
O ponto de partida foi acabar com vícios históricos, negando solicitações políticas para atender apadrinhados, assumindo despesas do tamanho de suas condições e, principalmente, eliminando práticas nocivas ao bem público.
O resultado veio com o tempo. As contas saneadas, a Caern saiu da dependência histórica do cofre do Estado para ter a sua própria autonomia financeira.
Por gravidade, recuperou o poder de investimento, podendo ser destacado o fortalecimento de sua própria estrutura, com veículos novos, equipamentos modernos, valorização do quadro de pessoal.
Daí, foi possível realizar obras importantes como a implantação do novo sistema de distribuição de água de Mossoró, trocando a velha tubulação que tinha 40 anos de uso por uma nova que permitiu a recuperação do serviço.
Os investimentos na cidade se aproximaram de meio bilhão de reais, se somadas as obras de construção de caixas elevatórias e o início da adutora Santa Cruz/Mossoró, feita em parceria com o Governo Federal.
Foi com a situação tranquila, dinheiro em caixa e obras em andamento, como o “Sanear RN”, que a atual direção recebeu a Caern há pouco mais de oito meses.
Tempo curto para a mudança de cenário, que não se justifica na estiagem prolongada, como alegou Geni Formiga, até porque a seca vem castigando o Rio Grande do Norte antes mesmo da reconstrução da Caern.
JORNAL DE FATO
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Difícil acreditar que em nove meses a CAERN tenha saído de uma situação de equilíbrio financeiro para a iminente demissão de colaboradores, mas na atual conjuntura, eis que tudo é possível no "Buraquistão do Norte".
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