segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DIVULGAÇÃO: A crise de 1929: padrão-ouro clássico e mercados autorregulados

Resumo: Este artigo analisa a crise econômica de 1929 à luz das relações entre o padrão-ouro e a crença na capacidade autorreguladora dos mercados. Fundamentado em uma abordagem histórico-analítica e em revisão bibliográfica especializada, além de orientado por uma lógica hipotético-dedutiva, o estudo examina o processo de restauração do padrão-ouro no pós-Primeira Guerra Mundial, a trajetória da economia norte-americana durante a década de 1920 e as respostas inicialmente adotadas diante da Grande Depressão. Parte-se da hipótese de que a combinação da rigidez institucional do Sistema Monetário Internacional baseado no padrão-ouro com a predominância de concepções favoráveis à limitada intervenção estatal restringiu a capacidade de reação das autoridades econômicas diante dos desequilíbrios acumulados ao longo da década. Os resultados indicam que o padrão-ouro ampliou as dificuldades para o ajuste econômico ao limitar a flexibilidade das políticas monetárias e favorecer a propagação da crise no âmbito internacional. Simultaneamente, a confiança nos mecanismos de mercado contribuiu para a subestimação dos riscos associados à expansão do crédito, à especulação financeira e à crescente fragilidade de determinados setores da economia. Conclui-se que a Grande Depressão representou não apenas uma ruptura econômica de grandes proporções, mas também o questionamento dos fundamentos institucionais e intelectuais da ordem liberal vigente, abrindo espaço para formas mais abrangentes de intervenção estatal na condução da política econômica. Palavras-Chave: Grande Depressão de 1929. Dominância teórica. Mercados autorregulados. Padrão-ouro.

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