O e-book foi concebido para reunir textos referentes aos arranjos socioterritoriais e econômicos do Alto Oeste Potiguar (AOP), uma vez que as referências sobre o recorte geográfico proposto ainda são escassas. A espacialização do AOP contempla 37 municípios do Rio Grande do Norte, todos no Semiárido, com extensão de 5.265,573 km², quase 10% da área do estado, e população total de 242.412 habitantes, aproximadamente 7,34% da população estadual, em 2022 (IBGE, 2022).
O primeiro capítulo, intitulado “PROJETOS COMUNITÁRIOS EM PORTALEGRE-RN: AS EXPERIÊNCIAS DO PROGRAMA DE APOIO AO PEQUENO PRODUTOR RURAL (PAPP) E PROGRAMA DE COMBATE À POBREZA RURAL (PCPR)”, com autoria de Boanerges de Freitas Barreto Filho, analisa os projetos comunitários financiados pelo Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (PAPP) e pelo Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR) em Portalegre, Rio Grande do Norte.
O segundo capítulo, “COOPERATIVISMO EM ITAÚ-RN: A CONTRIBUIÇÃO DA COAPIL PARA O DESENVOLVIMENTO A PARTIR DA PERCEPÇÃO DOS ASSOCIADOS E TRABALHADORES”, tem como autores Boanerges de Freitas Barreto Filho e Franciclézia de Sousa Barreto Silva. O texto aborda a importância da COAPIL na geração de empregos e renda, mas também discute as limitações e a influência política que afetaram seu desempenho. Além disso, o estudo destaca a importância do cooperativismo como ferramenta para promover o desenvolvimento, embora reconheça as complexidades e desafios enfrentados pelas cooperativas no contexto nordestino.
O terceiro capítulo, com título de “AGRICULTURA FAMILIAR E FUMICULTURA EM PILÕES-RN”, com autoria de Boanerges de Freitas Barreto Filho e Franciclézia de Sousa Barreto Silva, analisa o impacto socioeconômico e ambiental da fumicultura na agricultura familiar de Pilões, Rio Grande do Norte. Os resultados mostram a trajetória da fumicultura no município de Pilões-RN, a importância para a economia local, a transição econômica após seu declínio e as consequências negativas, como o esgotamento de recursos hídricos e impactos na saúde, especialmente dos trabalhadores envolvidos diretamente no cultivo, e a redução da diversidade da produção agropecuária dos agricultores familiares que passaram a priorizar a fumicultura.
O quarto capítulo recebe o título de “AGRICULTURA FAMILIAR E ATIVIDADE CANAVIEIRA NO MUNICÍPIO DE CORONEL JOÃO PESSOA-RN” e conta com a autoria de Boanerges de Freitas Barreto Filho. A análise considera a importância socioeconômica da agricultura familiar no Brasil, sua evolução, e os desafios enfrentados pelos agricultores. O trabalho aborda também o conceito de desenvolvimento rural e os elementos necessários para um novo paradigma, buscando compreender como a atividade canavieira se encaixa nesse contexto.
O quinto capítulo, “AS PAISAGENS DA SECA NO ALTO OESTE POTIGUAR: DO PARADIGMA DE COMBATE AO PARADIGMA DA CONVIVÊNCIA”, com autoria de Boanerges de Freitas Barreto Filho, Emanuely dos Santos Marques e Francisco do Ó de Lima Júnior, interpreta, por intermédio da leitura das paisagens, as características principais das secas no Alto Oeste Potiguar. Procedeu-se ao levantamento de informações e dados sobre o Semiárido, especialmente no Alto Oeste Potiguar, utilizando-se as paisagens através de fotografias para alcançar o objetivo proposto. Percebe-se que a seca modifica a paisagem natural, sendo mostrada através das imagens dos solos secos e rachados e matas sem folhas, árvores esbranquiçadas e arbustos cheios de espinhos. De outro lado, os governantes mostram as respostas através da “solução hidráulica”, com as grandes obras de barragens, açudes, adutoras, canais e perímetros irrigados, mais recentemente, com as intervenções orientadas pelo paradigma da convivência. As secas também produzem significativos problemas socioeconômicos para as camadas mais vulneráveis da população, sendo ilustrativas as imagens dos “flagelados”, das perdas de rebanhos e safras e das dificuldades para a obtenção de água.
O sexto capítulo, “OS ACERTOS E LACUNAS NA GESTÃO DE UM RECURSO HÍDRICO DE USOS MÚLTIPLOS: O CASO DO AÇUDE PÚBLICO DE PAU DOS FERROS-RN”, com autoria de José Fausto Magalhães Filho e Boanerges de Freitas Barreto Filho, visa discutir os desafios e avanços na gestão hídrica do Açude Público de Pau dos Ferros, com ênfase nas ações governamentais, no período de 2012 a 2017, e desdobramentos posteriores. O capítulo mostra que o gerenciamento hídrico se tornou mais complexo devido ao aumento da população e à necessidade de atender diferentes usos da água. O monitoramento do volume de água pelo DNOCS foi uma prática essencial para minimizar os impactos da crise hídrica, pois permitiu ações como racionamento e incentivo à economia de água. A participação da sociedade civil na gestão, facilitada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró, também foi vista como um ponto positivo, uma vez que promover transparência contribui para a aceitação das decisões. Por outro lado, observa-se que existe espaço para melhorias, como o controle da poluição, planejamento para períodos de seca e investimentos para reduzir o desperdício da distribuição de água.
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