quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Da projeção às urnas: o que a estimativa para deputado estadual no RN acertou – e errou – em 2026

 Comparação entre a projeção publicada pelo Sertão Potiguar e o resultado oficial das eleições de 2026

A eleição para deputado estadual no Rio Grande do Norte oferece uma oportunidade interessante para avaliar, à luz do resultado oficial, a capacidade de uma projeção feita antes da votação.

O Sertão Potiguar publicou uma estimativa construída a partir de seis rodadas de pesquisas espontâneas, ponderadas pelo número de entrevistas. O levantamento reuniu 10.100 entrevistas e converteu as citações dos candidatos em uma estimativa de votos sobre um cenário de 2.176.951 comparecentes. O estudo advertia, desde o início, que os números individuais deveriam ser tratados como uma simulação, especialmente porque havia elevado percentual de eleitores que ainda não declaravam candidato.

Depois da votação de 4 de outubro, é possível confrontar essa projeção com a totalização oficial da Justiça Eleitoral.

O resultado mostra um quadro interessante: a projeção foi bastante precisa ao estimar o tamanho do eleitorado participante e o número de votos válidos, mas foi consideravelmente menos precisa na distribuição da votação entre os candidatos.

O primeiro teste: o tamanho da eleição

A projeção trabalhava com 2.176.951 comparecentes e 1.945.689 votos válidos para deputado estadual, estimando um quociente eleitoral de aproximadamente 81.070 votos.

O resultado oficial ficou muito próximo.

Segundo o relatório oficial da Justiça Eleitoral, o RN tinha 2.656.207 eleitores aptos, dos quais 2.167.714 compareceram às urnas, enquanto 488.493 não compareceram, correspondendo a 18,39% de abstenção.

Para deputado estadual, foram registrados:

Indicador

Projeção

Resultado oficial

Diferença

Comparecimento

2.176.951

2.167.714

-9.237

Votos válidos

1.945.689

1.938.309

-7.380

Quociente eleitoral

81.070

80.763

-307

Comparecimento

-

81,61%

-

Abstenção

cenário baseado em 2022

18,39%

-

A diferença entre o número projetado de comparecentes e o efetivamente registrado foi de apenas 0,42%.

Já a diferença entre os votos válidos projetados e os efetivamente válidos foi de apenas 0,38%.

Esse é, provavelmente, o maior acerto quantitativo da projeção.

O quociente eleitoral projetado, de aproximadamente 81.070 votos, também ficou muito próximo do resultado oficial: 80.763 votos. A diferença foi de aproximadamente 308 votos, ou 0,38%.

O relatório oficial registra ainda que o quociente eleitoral foi calculado sobre 1.938.309 votos válidos, para 24 vagas.

Abstenção, votos brancos e votos nulos

Esse aspecto é fundamental para compreender o resultado.

Dos 2.656.207 eleitores aptos no Rio Grande do Norte, 488.493 não compareceram, o equivalente a 18,39% do eleitorado. O comparecimento foi de 2.167.714 eleitores, ou 81,61%.

Entre os que compareceram, a distribuição dos votos para deputado estadual foi:

  • 103.009 votos em branco - 4,75%;
  • 122.474 votos nulos - 5,65%;
  • 1.938.309 votos válidos - 89,80% da votação efetivamente considerada após a exclusão dos votos anulados sub judice.

O relatório oficial registra ainda 3.922 votos anulados sub judice. Por isso, há uma diferença importante entre o total de votos destinados a candidatos/partidos, que aparece como 1.942.231, e os votos efetivamente válidos, que totalizaram 1.938.309.

Para fins da distribuição das cadeiras, o número relevante é, portanto, 1.938.309 votos válidos.

Somados apenas brancos e nulos, foram 225.483 votos, equivalentes a aproximadamente 10,40% dos comparecentes.

Esse resultado é importante porque demonstra que o volume de votos que não se transformou em voto válido ficou muito próximo daquele implícito no cenário utilizado na projeção.

A projeção havia trabalhado com 1.945.689 votos válidos em 2.176.951 comparecentes. A eleição terminou com 1.938.309 válidos em 2.167.714 comparecentes.

Em outras palavras:

o modelo acertou quase exatamente o tamanho do mercado eleitoral sobre o qual os candidatos disputariam as 24 cadeiras.

O problema principal não estava, portanto, no tamanho do eleitorado considerado, mas na distribuição dos votos entre os candidatos.

O resultado oficial: os 24 eleitos

A totalização oficial produziu a seguinte lista:

Pos.

Deputado(a)

Partido

Votos

1

Coronel Azevedo

PL

105.403

2

Ezequiel

PSDB

73.217

3

Robson Carvalho

UNIÃO

69.542

4

Julio Cesar

PP

66.750

5

Kleber Rodrigues

PP

66.172

6

Francisco do PT

PT

62.660

7

Kaline de Dr. Bernardo

PV

61.905

8

Cinthia de Allyson

UNIÃO

61.586

9

Isolda Dantas

PT

60.239

10

Divaneide Basílio

PT

59.680

11

Neilton Diógenes

PP

57.715

12

Dr. Kerginaldo

PL

54.165

13

Dr. Gustavo Soares

PSDB

53.701

14

Nelter Queiroz

PP

52.387

15

Daniel Valença

PT

52.099

16

Tomba Farias

PL

50.350

17

Cristiane Dantas

PSDB

49.589

18

Gustavo Carvalho

PL

49.531

19

Bibiano

MDB

49.038

20

Eudiane Macedo

PV

48.489

21

Ivanilson Oliveira

PV

47.831

22

Luiz Eduardo

PL

39.918

23

Adjuto Dias

PL

37.874

24

Camila Araújo

PL

31.438

Os dados são da totalização oficial da Justiça Eleitoral.

O cenário central da projeção

A postagem publicada pelo Sertão Potiguar apresentou dois modelos.

O primeiro trabalhava com uma distribuição de 7-7-4-4-2 entre PL, União Progressista, Brasil da Esperança, PSDB/Cidadania e MDB.

Posteriormente, o estudo apresentou um cenário central, considerado mais prudente, com:

  • PL: 6 vagas;
  • União Progressista: 6;
  • Brasil da Esperança: 4;
  • PSDB/Cidadania: 4;
  • MDB: 2;
  • duas vagas restantes a distribuir entre outras nominatas.

A própria postagem advertia que as duas vagas restantes não poderiam ser atribuídas com segurança, justamente porque faltavam informações completas sobre os demais candidatos.

Para a comparação nominal, portanto, o cenário central é o mais adequado.

Candidato por candidato: projeção × urna

O quadro abaixo confronta a votação estimada no cenário central com o resultado oficial.

Candidato

Projeção

Resultado

Diferença

Coronel Azevedo

48.100

105.403

+57.303

Ezequiel

80.100

73.217

-6.883

Robson Carvalho

63.100

69.542

+6.442

Julio Cesar

57.100

66.750

+9.650

Kleber Rodrigues

98.100

66.172

-31.928

Francisco do PT

56.700

62.660

+5.960

Kaline de Dr. Bernardo

52.700

61.905

+9.205

Cinthia de Allyson

82.100

61.586

-20.514

Isolda Dantas

-

60.239

não estimada

Divaneide Basílio

-

59.680

não estimada

Neilton Diógenes

66.300

57.715

-8.585

Dr. Kerginaldo

57.000

54.165

-2.835

Dr. Gustavo Soares

68.300

53.701

-14.599

Nelter Queiroz

69.600

52.387

-17.213

Daniel Valença

-

52.099

não estimado

Tomba Farias

84.600

50.350

-34.250

Cristiane Dantas

62.000

49.589

-12.411

Gustavo Carvalho

68.800

49.531

-19.269

Bibiano

37.700

49.038

+11.338

Eudiane Macedo

62.900

48.489

-14.411

Ivanilson Oliveira

-

47.831

não estimado

Luiz Eduardo

55.600

39.918

-15.682

Adjuto Dias

44.100

37.874

-6.226

Camila Araújo

-

31.438

não estimada

Os valores estimados do cenário central constam da postagem original.

Onde a projeção foi mais precisa

Alguns resultados ficaram relativamente próximos.

O melhor exemplo é Dr. Kerginaldo:

  • projeção: 57.000;
  • resultado: 54.165;
  • diferença: -2.835 votos;
  • erro aproximado: 5,0%.

Também houve bom desempenho na estimativa de:

Ezequiel

  • projeção: 80.100;
  • resultado: 73.217;
  • erro: -8,6%.

Robson Carvalho

  • projeção: 63.100;
  • resultado: 69.542;
  • erro: +10,2%.

Francisco do PT

  • projeção: 56.700;
  • resultado: 62.660;
  • erro: +10,5%.

Julio Cesar

  • projeção: 57.100;
  • resultado: 66.750;
  • erro: +16,9%.

Kaline de Dr. Bernardo

  • projeção: 52.700;
  • resultado: 61.905;
  • erro: +17,5%.

Portanto, para vários candidatos, a projeção conseguiu identificar corretamente a ordem de grandeza da votação.

Onde ocorreram os maiores erros

O caso mais expressivo foi Coronel Azevedo.

A projeção central estimava:

48.100 votos.

A urna registrou:

105.403 votos.

A diferença foi de 57.303 votos.

Em termos relativos, a votação real foi aproximadamente 119% superior à estimada.

Esse foi um erro decisivo porque Coronel Azevedo não apenas foi eleito: tornou-se o candidato mais votado para deputado estadual em todo o Rio Grande do Norte.

Outro grande desvio ocorreu com Tomba Farias:

  • projeção: 84.600;
  • resultado: 50.350;
  • diferença: -34.250;
  • erro aproximado: -40,5%.

Também houve superestimação importante de:

  • Kleber Rodrigues: -32,5%;
  • Gustavo Carvalho: -28,0%;
  • Luiz Eduardo: -28,2%;
  • Cinthia de Allyson: -25,0%;
  • Nelter Queiroz: -24,7%;
  • Eudiane Macedo: -22,9%;
  • Dr. Gustavo Soares: -21,4%.

O resultado mostra, portanto, uma tendência clara: a projeção captou vários nomes que efetivamente se elegeriam, mas em diversos casos superestimou candidatos que apareciam fortes nas pesquisas espontâneas.

O caso Coronel Azevedo revela a principal limitação da projeção

Talvez o maior ensinamento da comparação esteja na posição de Coronel Azevedo.

No cenário central, ele aparecia com aproximadamente 48,1 mil votos, atrás de diversos candidatos da própria lista projetada.

Na eleição, entretanto, chegou a:

105.403 votos - 5,43% dos votos válidos.

Foi quase o dobro da votação que o modelo lhe atribuía.

Esse caso demonstra a dificuldade de transformar citação espontânea em votação efetiva.

A própria postagem já alertava para esse problema. O levantamento identificava percentuais elevados de eleitores que ainda não indicavam candidato e explicava que a conversão dos indecisos era uma hipótese do modelo, e não uma medição direta.

Obviamente, a projeção não deve ser interpretada como uma pesquisa de intenção de voto convencional. Esse tipo de prognóstico funciona como uma simulação matemática baseada na distribuição observada nas pesquisas disponíveis.

O acerto na identificação dos eleitos

Apesar dos erros na votação individual, existe um resultado positivo importante.

No cenário central, dos 22 nomes explicitamente relacionados como possíveis eleitos, 19 efetivamente foram eleitos.

Isso representa 19 dos 24 eleitos, ou aproximadamente 79% dos nomes que chegaram à Assembleia, embora duas vagas do modelo tenham sido deliberadamente deixadas sem candidato nominal.

Os três nomes explicitamente indicados no cenário central que não chegaram à Assembleia foram:

  • Ubaldo Fernandes;
  • Ériko Jácome;
  • Walter Alves.

Por outro lado, cinco eleitos não estavam entre os nomes nominais apresentados no cenário central:

  • Isolda Dantas;
  • Divaneide Basílio;
  • Daniel Valença;
  • Ivanilson Oliveira;
  • Camila Araújo.

A situação é especialmente interessante porque quatro dos cinco nomes ausentes pertencem à Federação Brasil da Esperança.

A postagem original havia sido cautelosa justamente sobre essa questão, reconhecendo que a distribuição dos votos dos demais candidatos e das legendas poderia alterar significativamente a composição final.

E o primeiro cenário, de 7-7-4-4-2?

O primeiro cenário da postagem projetava:

Federação/partido

Projeção

Resultado oficial

PL

7

7

União Progressista

7

6

Brasil da Esperança

4

7

PSDB/Cidadania

4

3

MDB

2

1

Total

24

24

O primeiro cenário, portanto, acertou exatamente o número de cadeiras do PL, mas errou a distribuição das demais.

A União Progressista ficou uma cadeira abaixo da projeção.

A Brasil da Esperança foi o maior desvio: a projeção indicava quatro vagas, mas a federação conquistou sete.

PSDB/Cidadania teve três cadeiras, uma abaixo da projeção.

MDB ficou com uma, também uma abaixo.

Em termos de composição, portanto, o maior erro foi a subestimação da Federação Brasil da Esperança.

O cenário central melhorou a distribuição, mas ainda subestimou a Brasil da Esperança

No cenário central, a projeção passou a trabalhar com:

6 PL; 6 União Progressista; 4 Brasil da Esperança; 4 PSDB/Cidadania; 2 MDB + 2 vagas a distribuir.

O resultado oficial foi:

7 PL; 6 União Progressista; 7 Brasil da Esperança; 3 PSDB/Cidadania; 1 MDB.

A Justiça Eleitoral confirma que a Federação Brasil da Esperança conquistou sete cadeiras, sendo seis pelo quociente partidário e uma por média. A União Progressista ficou com seis, sendo cinco pelo quociente e uma por média. O PL obteve sete, seis pelo quociente e uma por média.

O cenário central, portanto:

  • acertou exatamente a União Progressista: 6 vagas;
  • ficou uma vaga abaixo no PL;
  • ficou três vagas abaixo na Brasil da Esperança;
  • ficou uma vaga acima no PSDB/Cidadania;
  • ficou uma vaga acima no MDB.

Mesmo que as duas vagas que o modelo deixou "a distribuir" fossem atribuídas posteriormente à Brasil da Esperança, a projeção ainda ficaria uma cadeira abaixo do resultado real da federação.

Por que a Brasil da Esperança foi a principal surpresa?

Os dados oficiais ajudam a explicar a dimensão do fenômeno.

A Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PCdoB e PV) terminou a eleição com:

  • 463.600 votos nominais;
  • 38.725 votos de legenda;
  • 502.325 votos válidos;
  • 7 cadeiras.

A Justiça Eleitoral registra seis cadeiras pelo quociente partidário e uma cadeira adicional por média.

Entre os eleitos estavam quatro nomes que não apareciam entre os quatro candidatos previstos no cenário central:

  • Isolda Dantas;
  • Divaneide Basílio;
  • Daniel Valença;
  • Ivanilson Oliveira.

A projeção havia incluído Eudiane Macedo, Francisco do PT, Kaline de Dr. Bernardo e Ubaldo Fernandes.

Dos quatro nomes previstos, três se elegeram.

O quarto, Ubaldo Fernandes, terminou como suplente.

O problema, portanto, não foi simplesmente "errar a federação": a projeção conseguiu identificar três dos nomes que efetivamente se elegeriam, mas não captou a força de outros quatro integrantes da mesma nominata.

Esse é exatamente o tipo de situação em que pesquisas espontâneas com listas incompletas tendem a apresentar maior dificuldade.

O caso PL é ainda mais interessante

No PL, a projeção central indicou seis nomes:

  • Coronel Azevedo;
  • Dr. Kerginaldo;
  • Tomba Farias;
  • Gustavo Carvalho;
  • Luiz Eduardo;
  • Adjuto Dias.

Os seis efetivamente foram eleitos.

Ou seja:

a projeção acertou 100% dos seis nomes que indicou para o PL no cenário central.

Mas faltou um nome: Camila Araújo, que acabou conquistando a sétima cadeira do partido por média.

Esse resultado mostra uma diferença importante entre prever os nomes fortes de uma nominata e prever o número final de cadeiras da nominata.

A projeção captou corretamente os seis principais nomes do PL, mas não conseguiu antecipar a conquista da sétima vaga.

A distribuição oficial confirma que a sétima cadeira do PL veio por média.

A União Progressista foi o maior acerto coletivo

A União Progressista é provavelmente o melhor exemplo de acerto da projeção.

O cenário central indicava:

6 cadeiras.

O resultado oficial foi:

6 cadeiras.

E os seis nomes indicados pela projeção foram exatamente os seis eleitos:

  • Robson Carvalho;
  • Julio Cesar;
  • Kleber Rodrigues;
  • Cinthia de Allyson;
  • Neilton Diógenes;
  • Nelter Queiroz.

O sétimo nome da simulação, Galeno Torquato, ficou como suplente.

A totalização oficial confirma os seis eleitos da União Progressista e Galeno como suplente.

Portanto, nesse caso houve simultaneamente acerto na quantidade de cadeiras e acerto na composição nominal.

O MDB foi superestimado

O cenário central projetava dois nomes do MDB:

  • Walter Alves;
  • Bibiano.

O resultado oficial produziu apenas uma cadeira:

Bibiano - 49.038 votos.

Walter Alves obteve 44.217 votos e ficou como suplente.

Nesse caso, a projeção acertou o nome que efetivamente entrou, mas superestimou a capacidade da nominata de conquistar a segunda cadeira.

PSDB/Cidadania: outro caso de pequena superestimação

A projeção central apontava quatro nomes:

  • Ezequiel;
  • Dr. Gustavo Soares;
  • Cristiane Dantas;
  • Ériko Jácome.

O resultado produziu três cadeiras:

  • Ezequiel;
  • Dr. Gustavo Soares;
  • Cristiane Dantas.

Ériko Jácome ficou como suplente, com 45.883 votos.

Portanto, novamente a projeção identificou todos os eleitos da nominata, mas acrescentou uma quarta cadeira que não se materializou.

A Justiça Eleitoral confirma as três vagas da Federação PSDB/Cidadania.

O que aconteceu com o quociente eleitoral?

Aqui está outro ponto em que a projeção foi surpreendentemente próxima.

Projeção

  • votos válidos: 1.945.689;
  • 24 vagas;
  • QE: aproximadamente 81.070.

Resultado

  • votos válidos: 1.938.309;
  • 24 vagas;
  • QE oficial: 80.763.

A diferença foi de apenas 307 votos no quociente eleitoral.

Em termos relativos, isso representa aproximadamente 0,38%.

Portanto, a estimativa do "tamanho" do voto válido para deputado estadual praticamente acertou o resultado.

O relatório oficial confirma também que foram 1.849.787 votos nominais e 88.522 votos de legenda.

A projeção havia estimado aproximadamente 204 mil votos de legenda no cenário anterior, número que acabou sendo bastante superior ao efetivamente registrado.

Esse é um dos elementos que ajuda a explicar por que o modelo conseguiu estimar bem o total de votos válidos, mas teve dificuldade na distribuição das cadeiras.

Uma medida objetiva do erro nominal

Considerando os 19 candidatos efetivamente eleitos que tiveram votação estimada nominalmente no cenário central, a diferença absoluta média entre a projeção e a votação efetiva ficou em aproximadamente: 16 mil votos por candidato.

O erro percentual absoluto médio foi de aproximadamente: 25,7%.

Esses números devem ser interpretados com cautela, porque a metodologia não era uma pesquisa eleitoral tradicional e vários candidatos ficaram fora da estimativa nominal por causa da limitação das pesquisas utilizadas.

Ainda assim, eles permitem uma conclusão objetiva: a projeção foi muito mais precisa para estimar o tamanho do eleitorado e o volume de votos válidos do que para estimar a votação individual de cada candidato.

O que a projeção efetivamente acertou?

O balanço pode ser resumido em cinco pontos.

1) Acertou o tamanho do comparecimento

Projetou 2.176.951 comparecentes.

O resultado foi 2.167.714.

Erro: 0,42%.

2) Acertou quase exatamente o volume de votos válidos

Projetou 1.945.689.

O resultado foi 1.938.309.

Erro: 0,38%.

3) Acertou praticamente o quociente eleitoral

Projetou aproximadamente 81.070.

O resultado oficial foi 80.763.

Diferença: aproximadamente 307 votos.

4) Acertou 19 dos 24 eleitos entre os nomes nominalmente apresentados no cenário central

Isso corresponde a aproximadamente 79% dos eleitos.

5) Acertou integralmente a composição nominal da União Progressista

Os seis nomes indicados foram exatamente os seis eleitos.

E onde a projeção falhou?

Também é possível identificar cinco limitações principais.

1) Subestimou fortemente Coronel Azevedo

Foi o maior erro individual da projeção.

2) Superestimou alguns candidatos que apareciam muito fortes nas pesquisas

Especialmente Tomba Farias, Kleber Rodrigues, Cinthia de Allyson e Gustavo Carvalho.

3) Subestimou a força coletiva da Brasil da Esperança

A federação conquistou sete cadeiras, contra quatro projetadas no cenário central.

4) Não identificou quatro dos sete eleitos da Brasil da Esperança

Foram eles:

  • Isolda Dantas;
  • Divaneide Basílio;
  • Daniel Valença;
  • Ivanilson Oliveira.

5) Não previu a sétima cadeira do PL

Camila Araújo terminou eleita por média, enquanto a projeção indicava apenas seis cadeiras para o PL.

O papel das abstenções, brancos e nulos na avaliação

A comparação também mostra que não seria correto atribuir os erros nominais à diferença entre a participação projetada e a participação efetiva.

A participação foi muito próxima.

O cenário projetado considerava 2.176.951 comparecentes.

A realidade foi 2.167.714.

A diferença foi de apenas 9.237 eleitores.

Da mesma maneira, a projeção considerava 1.945.689 votos válidos e o resultado terminou em 1.938.309.

A diferença foi de 7.380 votos.

Portanto, a abstenção adicional em relação ao cenário projetado não explica os grandes erros de votação individual.

O problema esteve principalmente na redistribuição dos votos entre os candidatos.

A eleição teve 488.493 abstenções, 103.009 votos brancos e 122.474 votos nulos para o cargo de deputado estadual.

Esse conjunto corresponde a uma parcela expressiva do eleitorado e ajuda a explicar por que a disputa proporcional não pode ser analisada apenas pela votação dos candidatos mais conhecidos.

Conclusão: uma projeção que acertou o "tamanho" da eleição, mas não toda a distribuição

O confronto entre a projeção do Sertão Potiguar e o resultado oficial permite uma avaliação equilibrada.

Não seria correto dizer que a projeção "acertou a eleição", porque houve diferenças relevantes na votação individual e na distribuição das cadeiras.

Também não seria correto dizer que a projeção "errou", simplesmente porque vários candidatos tiveram votação bastante diferente da estimada.

O resultado foi mais complexo.

A projeção acertou com elevada precisão o tamanho do eleitorado participante, o volume de votos válidos e o quociente eleitoral.

Também conseguiu identificar 19 dos 24 deputados efetivamente eleitos entre os nomes nominalmente apresentados no cenário central.

Além disso, acertou integralmente a composição nominal da União Progressista e acertou os seis nomes que projetou para o PL, embora tenha deixado escapar a sétima cadeira conquistada por Camila Araújo.

Por outro lado, houve erros significativos na estimativa da votação individual, principalmente no caso de Coronel Azevedo, e uma subestimação importante da Federação Brasil da Esperança.

O resultado final mostra, portanto, que a transformação de pesquisas espontâneas em projeção de cadeiras é muito mais sensível à distribuição dos votos entre os candidatos do que ao tamanho global do eleitorado.

A própria postagem original havia feito essa ressalva: as estimativas nominais dependiam da distribuição dos indecisos e dos candidatos não contemplados integralmente pelas pesquisas, e a projeção das cadeiras deveria ser entendida como condicional.

A eleição confirmou essa advertência.

O balanço final

Acerto elevado:

  • comparecimento;
  • votos válidos;
  • quociente eleitoral;
  • identificação de grande parte dos eleitos;
  • composição da União Progressista;
  • seis nomes projetados do PL que efetivamente foram eleitos.

Acerto intermediário:

  • PSDB/Cidadania;
  • MDB;
  • vários candidatos individualmente.

Principal erro:

  • subestimação da Federação Brasil da Esperança;
  • não identificação de Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Daniel Valença e Ivanilson Oliveira;
  • forte subestimação da votação de Coronel Azevedo;
  • superestimação de algumas candidaturas que apareciam nas pesquisas espontâneas.

No fim, a experiência deixa uma conclusão metodológica importante para futuras projeções do Sertão Potiguar:

é possível estimar com bastante precisão o tamanho do eleitorado e do voto válido; já a transformação das intenções espontâneas em votação nominal e, principalmente, em cadeiras exige uma modelagem mais sofisticada, incorporando todos os candidatos, votos de legenda, força das nominatas e distribuição das sobras.

Foi exatamente nas etapas mais difíceis - distribuir os votos entre os candidatos e transformar essa distribuição em cadeiras - que apareceram os principais desvios entre a projeção e as urnas.

Fonte dos resultados oficiais: Justiça Eleitoral/TRE-RN, totalização das Eleições 2026.

Fonte da projeção: levantamento e simulações publicados pelo Sertão Potiguar.

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