Comparação entre a projeção publicada pelo Sertão Potiguar e o resultado oficial das eleições de 2026
A eleição para deputado estadual no Rio Grande do
Norte oferece uma oportunidade interessante para avaliar, à luz do resultado
oficial, a capacidade de uma projeção feita antes da votação.
O Sertão Potiguar publicou uma estimativa
construída a partir de seis rodadas de pesquisas espontâneas, ponderadas pelo
número de entrevistas. O levantamento reuniu 10.100 entrevistas e converteu as
citações dos candidatos em uma estimativa de votos sobre um cenário de
2.176.951 comparecentes. O estudo advertia, desde o início, que os números
individuais deveriam ser tratados como uma simulação, especialmente porque
havia elevado percentual de eleitores que ainda não declaravam candidato.
Depois da votação de 4 de outubro, é possível
confrontar essa projeção com a totalização oficial da Justiça Eleitoral.
O resultado mostra um quadro interessante: a
projeção foi bastante precisa ao estimar o tamanho do eleitorado participante e
o número de votos válidos, mas foi consideravelmente menos precisa na
distribuição da votação entre os candidatos.
O primeiro teste: o tamanho da
eleição
A projeção trabalhava com 2.176.951
comparecentes e 1.945.689 votos válidos para deputado estadual,
estimando um quociente eleitoral de aproximadamente 81.070 votos.
O resultado oficial ficou muito próximo.
Segundo o relatório oficial da Justiça Eleitoral, o
RN tinha 2.656.207 eleitores aptos, dos quais 2.167.714 compareceram
às urnas, enquanto 488.493 não compareceram, correspondendo a 18,39%
de abstenção.
Para deputado estadual, foram registrados:
|
Indicador |
Projeção |
Resultado
oficial |
Diferença |
|
Comparecimento |
2.176.951 |
2.167.714 |
-9.237 |
|
Votos
válidos |
1.945.689 |
1.938.309 |
-7.380 |
|
Quociente
eleitoral |
81.070 |
80.763 |
-307 |
|
Comparecimento |
- |
81,61% |
- |
|
Abstenção |
cenário
baseado em 2022 |
18,39% |
- |
A diferença
entre o número projetado de comparecentes e o efetivamente registrado foi de apenas 0,42%.
Já a diferença entre os votos válidos projetados e
os efetivamente válidos foi de apenas 0,38%.
Esse é, provavelmente, o maior acerto quantitativo
da projeção.
O quociente eleitoral projetado, de aproximadamente
81.070 votos, também ficou muito próximo do resultado oficial: 80.763 votos.
A diferença foi de aproximadamente 308 votos, ou 0,38%.
O relatório oficial registra ainda que o quociente
eleitoral foi calculado sobre 1.938.309 votos válidos, para 24 vagas.
Abstenção,
votos brancos e votos nulos
Esse aspecto é fundamental para compreender o
resultado.
Dos 2.656.207 eleitores aptos no Rio Grande
do Norte, 488.493 não compareceram, o equivalente a 18,39% do
eleitorado. O comparecimento foi de 2.167.714 eleitores, ou 81,61%.
Entre os que compareceram, a distribuição dos votos
para deputado estadual foi:
- 103.009
votos em branco - 4,75%;
- 122.474
votos nulos - 5,65%;
- 1.938.309
votos válidos - 89,80% da votação efetivamente considerada após a exclusão
dos votos anulados sub judice.
O relatório oficial registra ainda 3.922 votos
anulados sub judice. Por isso, há uma diferença importante entre o total de
votos destinados a candidatos/partidos, que aparece como 1.942.231, e os votos
efetivamente válidos, que totalizaram 1.938.309.
Para fins da distribuição das cadeiras, o número
relevante é, portanto, 1.938.309 votos válidos.
Somados apenas brancos e nulos, foram 225.483
votos, equivalentes a aproximadamente 10,40% dos comparecentes.
Esse resultado é importante porque demonstra que o
volume de votos que não se transformou em voto válido ficou muito próximo
daquele implícito no cenário utilizado na projeção.
A projeção havia trabalhado com 1.945.689 votos
válidos em 2.176.951 comparecentes. A eleição terminou com 1.938.309 válidos em
2.167.714 comparecentes.
Em outras palavras:
o modelo acertou quase exatamente o tamanho do
mercado eleitoral sobre o qual os candidatos disputariam as 24 cadeiras.
O problema principal não estava, portanto, no
tamanho do eleitorado considerado, mas na distribuição dos votos entre os
candidatos.
O
resultado oficial: os 24 eleitos
A totalização oficial produziu a seguinte lista:
|
Pos. |
Deputado(a) |
Partido |
Votos |
|
1 |
Coronel
Azevedo |
PL |
105.403 |
|
2 |
Ezequiel |
PSDB |
73.217 |
|
3 |
Robson
Carvalho |
UNIÃO |
69.542 |
|
4 |
Julio
Cesar |
PP |
66.750 |
|
5 |
Kleber
Rodrigues |
PP |
66.172 |
|
6 |
Francisco
do PT |
PT |
62.660 |
|
7 |
Kaline
de Dr. Bernardo |
PV |
61.905 |
|
8 |
Cinthia
de Allyson |
UNIÃO |
61.586 |
|
9 |
Isolda
Dantas |
PT |
60.239 |
|
10 |
Divaneide
Basílio |
PT |
59.680 |
|
11 |
Neilton
Diógenes |
PP |
57.715 |
|
12 |
Dr.
Kerginaldo |
PL |
54.165 |
|
13 |
Dr.
Gustavo Soares |
PSDB |
53.701 |
|
14 |
Nelter
Queiroz |
PP |
52.387 |
|
15 |
Daniel
Valença |
PT |
52.099 |
|
16 |
Tomba
Farias |
PL |
50.350 |
|
17 |
Cristiane
Dantas |
PSDB |
49.589 |
|
18 |
Gustavo
Carvalho |
PL |
49.531 |
|
19 |
Bibiano |
MDB |
49.038 |
|
20 |
Eudiane
Macedo |
PV |
48.489 |
|
21 |
Ivanilson
Oliveira |
PV |
47.831 |
|
22 |
Luiz
Eduardo |
PL |
39.918 |
|
23 |
Adjuto
Dias |
PL |
37.874 |
|
24 |
Camila
Araújo |
PL |
31.438 |
Os dados são
da totalização oficial da Justiça Eleitoral.
O cenário
central da projeção
A postagem publicada pelo Sertão Potiguar
apresentou dois modelos.
O primeiro trabalhava com uma distribuição de 7-7-4-4-2
entre PL, União Progressista, Brasil da Esperança, PSDB/Cidadania e MDB.
Posteriormente, o estudo apresentou um cenário
central, considerado mais prudente, com:
- PL:
6 vagas;
- União
Progressista: 6;
- Brasil
da Esperança: 4;
- PSDB/Cidadania:
4;
- MDB:
2;
- duas
vagas restantes a distribuir entre outras nominatas.
A própria postagem advertia que as duas vagas
restantes não poderiam ser atribuídas com segurança, justamente porque faltavam
informações completas sobre os demais candidatos.
Para a comparação nominal, portanto, o cenário
central é o mais adequado.
Candidato
por candidato: projeção × urna
O quadro abaixo confronta a votação estimada no
cenário central com o resultado oficial.
|
Candidato |
Projeção |
Resultado |
Diferença |
|
Coronel
Azevedo |
48.100 |
105.403 |
+57.303 |
|
Ezequiel |
80.100 |
73.217 |
-6.883 |
|
Robson
Carvalho |
63.100 |
69.542 |
+6.442 |
|
Julio
Cesar |
57.100 |
66.750 |
+9.650 |
|
Kleber
Rodrigues |
98.100 |
66.172 |
-31.928 |
|
Francisco
do PT |
56.700 |
62.660 |
+5.960 |
|
Kaline
de Dr. Bernardo |
52.700 |
61.905 |
+9.205 |
|
Cinthia
de Allyson |
82.100 |
61.586 |
-20.514 |
|
Isolda
Dantas |
- |
60.239 |
não
estimada |
|
Divaneide
Basílio |
- |
59.680 |
não
estimada |
|
Neilton
Diógenes |
66.300 |
57.715 |
-8.585 |
|
Dr.
Kerginaldo |
57.000 |
54.165 |
-2.835 |
|
Dr.
Gustavo Soares |
68.300 |
53.701 |
-14.599 |
|
Nelter
Queiroz |
69.600 |
52.387 |
-17.213 |
|
Daniel
Valença |
- |
52.099 |
não
estimado |
|
Tomba
Farias |
84.600 |
50.350 |
-34.250 |
|
Cristiane
Dantas |
62.000 |
49.589 |
-12.411 |
|
Gustavo
Carvalho |
68.800 |
49.531 |
-19.269 |
|
Bibiano |
37.700 |
49.038 |
+11.338 |
|
Eudiane
Macedo |
62.900 |
48.489 |
-14.411 |
|
Ivanilson
Oliveira |
- |
47.831 |
não
estimado |
|
Luiz
Eduardo |
55.600 |
39.918 |
-15.682 |
|
Adjuto
Dias |
44.100 |
37.874 |
-6.226 |
|
Camila
Araújo |
- |
31.438 |
não
estimada |
Os valores
estimados do cenário central constam da postagem original.
Onde a
projeção foi mais precisa
Alguns resultados ficaram relativamente próximos.
O melhor exemplo é Dr. Kerginaldo:
- projeção:
57.000;
- resultado:
54.165;
- diferença:
-2.835 votos;
- erro
aproximado: 5,0%.
Também houve bom desempenho na estimativa de:
Ezequiel
- projeção:
80.100;
- resultado:
73.217;
- erro:
-8,6%.
Robson Carvalho
- projeção:
63.100;
- resultado:
69.542;
- erro:
+10,2%.
Francisco do PT
- projeção:
56.700;
- resultado:
62.660;
- erro:
+10,5%.
Julio Cesar
- projeção:
57.100;
- resultado:
66.750;
- erro:
+16,9%.
Kaline de Dr. Bernardo
- projeção:
52.700;
- resultado:
61.905;
- erro:
+17,5%.
Portanto, para vários candidatos, a projeção
conseguiu identificar corretamente a ordem de grandeza da votação.
Onde
ocorreram os maiores erros
O caso mais expressivo foi Coronel Azevedo.
A projeção central estimava:
48.100 votos.
A urna registrou:
105.403 votos.
A diferença foi de 57.303 votos.
Em termos relativos, a votação real foi
aproximadamente 119% superior à estimada.
Esse foi um erro decisivo porque Coronel Azevedo
não apenas foi eleito: tornou-se o candidato mais votado para deputado estadual
em todo o Rio Grande do Norte.
Outro grande desvio ocorreu com Tomba Farias:
- projeção:
84.600;
- resultado:
50.350;
- diferença:
-34.250;
- erro
aproximado: -40,5%.
Também houve superestimação importante de:
- Kleber
Rodrigues: -32,5%;
- Gustavo
Carvalho: -28,0%;
- Luiz
Eduardo: -28,2%;
- Cinthia
de Allyson: -25,0%;
- Nelter
Queiroz: -24,7%;
- Eudiane
Macedo: -22,9%;
- Dr.
Gustavo Soares: -21,4%.
O resultado mostra, portanto, uma tendência clara: a
projeção captou vários nomes que efetivamente se elegeriam, mas em diversos
casos superestimou candidatos que apareciam fortes nas pesquisas espontâneas.
O caso Coronel
Azevedo revela a principal limitação da projeção
Talvez o maior ensinamento da comparação esteja na
posição de Coronel Azevedo.
No cenário central, ele aparecia com
aproximadamente 48,1 mil votos, atrás de diversos candidatos da própria lista
projetada.
Na eleição, entretanto, chegou a:
105.403 votos - 5,43% dos votos válidos.
Foi quase o dobro da votação que o modelo lhe
atribuía.
Esse caso demonstra a dificuldade de transformar citação
espontânea em votação efetiva.
A própria postagem já alertava para esse problema.
O levantamento identificava percentuais elevados de eleitores que ainda não
indicavam candidato e explicava que a conversão dos indecisos era uma hipótese
do modelo, e não uma medição direta.
Obviamente, a projeção não deve ser interpretada como
uma pesquisa de intenção de voto convencional. Esse tipo de prognóstico
funciona como uma simulação matemática baseada na distribuição observada nas
pesquisas disponíveis.
O acerto
na identificação dos eleitos
Apesar dos erros na votação individual, existe um
resultado positivo importante.
No cenário central, dos 22 nomes explicitamente
relacionados como possíveis eleitos, 19 efetivamente foram eleitos.
Isso representa 19 dos 24 eleitos, ou
aproximadamente 79% dos nomes que chegaram à Assembleia, embora duas
vagas do modelo tenham sido deliberadamente deixadas sem candidato nominal.
Os três nomes explicitamente indicados no cenário
central que não chegaram à Assembleia foram:
- Ubaldo
Fernandes;
- Ériko
Jácome;
- Walter
Alves.
Por outro lado, cinco eleitos não estavam entre os
nomes nominais apresentados no cenário central:
- Isolda
Dantas;
- Divaneide
Basílio;
- Daniel
Valença;
- Ivanilson
Oliveira;
- Camila
Araújo.
A situação é especialmente interessante porque
quatro dos cinco nomes ausentes pertencem à Federação Brasil da Esperança.
A postagem original havia sido cautelosa justamente
sobre essa questão, reconhecendo que a distribuição dos votos dos demais
candidatos e das legendas poderia alterar significativamente a composição
final.
E o
primeiro cenário, de 7-7-4-4-2?
O primeiro cenário da postagem projetava:
|
Federação/partido |
Projeção |
Resultado
oficial |
|
PL |
7 |
7 |
|
União
Progressista |
7 |
6 |
|
Brasil
da Esperança |
4 |
7 |
|
PSDB/Cidadania |
4 |
3 |
|
MDB |
2 |
1 |
|
Total |
24 |
24 |
O primeiro cenário, portanto, acertou exatamente o
número de cadeiras do PL, mas errou a distribuição das demais.
A União Progressista ficou uma cadeira abaixo da
projeção.
A Brasil da Esperança foi o maior desvio: a
projeção indicava quatro vagas, mas a federação conquistou sete.
PSDB/Cidadania teve três cadeiras, uma abaixo da
projeção.
MDB ficou com uma, também uma abaixo.
Em termos de composição, portanto, o maior erro foi
a subestimação da Federação Brasil da Esperança.
O cenário
central melhorou a distribuição, mas ainda subestimou a Brasil da Esperança
No cenário central, a projeção passou a trabalhar
com:
6 PL; 6 União Progressista; 4 Brasil da Esperança;
4 PSDB/Cidadania; 2 MDB + 2 vagas a distribuir.
O resultado oficial foi:
7 PL; 6 União Progressista; 7 Brasil da Esperança;
3 PSDB/Cidadania; 1 MDB.
A Justiça Eleitoral confirma que a Federação Brasil
da Esperança conquistou sete cadeiras, sendo seis pelo quociente partidário e
uma por média. A União Progressista ficou com seis, sendo cinco pelo quociente
e uma por média. O PL obteve sete, seis pelo quociente e uma por média.
O cenário central, portanto:
- acertou
exatamente a União Progressista: 6 vagas;
- ficou
uma vaga abaixo no PL;
- ficou
três vagas abaixo na Brasil da Esperança;
- ficou
uma vaga acima no PSDB/Cidadania;
- ficou
uma vaga acima no MDB.
Mesmo que as duas vagas que o modelo deixou "a
distribuir" fossem atribuídas posteriormente à Brasil da Esperança, a
projeção ainda ficaria uma cadeira abaixo do resultado real da federação.
Por que a
Brasil da Esperança foi a principal surpresa?
Os dados oficiais ajudam a explicar a dimensão do
fenômeno.
A Federação Brasil da Esperança (formada por PT,
PCdoB e PV) terminou a eleição com:
- 463.600
votos nominais;
- 38.725
votos de legenda;
- 502.325
votos válidos;
- 7
cadeiras.
A Justiça Eleitoral registra seis cadeiras pelo
quociente partidário e uma cadeira adicional por média.
Entre os eleitos estavam quatro nomes que não
apareciam entre os quatro candidatos previstos no cenário central:
- Isolda
Dantas;
- Divaneide
Basílio;
- Daniel
Valença;
- Ivanilson
Oliveira.
A projeção havia incluído Eudiane Macedo, Francisco
do PT, Kaline de Dr. Bernardo e Ubaldo Fernandes.
Dos quatro nomes previstos, três se elegeram.
O quarto, Ubaldo Fernandes, terminou como suplente.
O problema, portanto, não foi simplesmente
"errar a federação": a projeção conseguiu identificar três dos
nomes que efetivamente se elegeriam, mas não captou a força de outros quatro
integrantes da mesma nominata.
Esse é exatamente o tipo de situação em que
pesquisas espontâneas com listas incompletas tendem a apresentar maior
dificuldade.
O caso PL
é ainda mais interessante
No PL, a projeção central indicou seis nomes:
- Coronel
Azevedo;
- Dr.
Kerginaldo;
- Tomba
Farias;
- Gustavo
Carvalho;
- Luiz
Eduardo;
- Adjuto
Dias.
Os seis efetivamente foram eleitos.
Ou seja:
a projeção acertou 100% dos seis nomes que indicou
para o PL no cenário central.
Mas faltou um nome: Camila Araújo, que
acabou conquistando a sétima cadeira do partido por média.
Esse resultado mostra uma diferença importante
entre prever os nomes fortes de uma nominata e prever o número final
de cadeiras da nominata.
A projeção captou corretamente os seis principais
nomes do PL, mas não conseguiu antecipar a conquista da sétima vaga.
A distribuição oficial confirma que a sétima
cadeira do PL veio por média.
A União
Progressista foi o maior acerto coletivo
A União Progressista é provavelmente o melhor
exemplo de acerto da projeção.
O cenário central indicava:
6 cadeiras.
O resultado oficial foi:
6 cadeiras.
E os seis nomes indicados pela projeção foram
exatamente os seis eleitos:
- Robson
Carvalho;
- Julio
Cesar;
- Kleber
Rodrigues;
- Cinthia
de Allyson;
- Neilton
Diógenes;
- Nelter
Queiroz.
O sétimo nome da simulação, Galeno Torquato, ficou
como suplente.
A totalização oficial confirma os seis eleitos da
União Progressista e Galeno como suplente.
Portanto, nesse caso houve simultaneamente acerto
na quantidade de cadeiras e acerto na composição nominal.
O MDB foi
superestimado
O cenário central projetava dois nomes do MDB:
- Walter
Alves;
- Bibiano.
O resultado oficial produziu apenas uma cadeira:
Bibiano - 49.038 votos.
Walter Alves obteve 44.217 votos e ficou como
suplente.
Nesse caso, a projeção acertou o nome que
efetivamente entrou, mas superestimou a capacidade da nominata de conquistar a
segunda cadeira.
PSDB/Cidadania:
outro caso de pequena superestimação
A projeção central apontava quatro nomes:
- Ezequiel;
- Dr.
Gustavo Soares;
- Cristiane
Dantas;
- Ériko
Jácome.
O resultado produziu três cadeiras:
- Ezequiel;
- Dr.
Gustavo Soares;
- Cristiane
Dantas.
Ériko Jácome ficou como suplente, com 45.883 votos.
Portanto, novamente a projeção identificou todos
os eleitos da nominata, mas acrescentou uma quarta cadeira que não se
materializou.
A Justiça Eleitoral confirma as três vagas da
Federação PSDB/Cidadania.
O que
aconteceu com o quociente eleitoral?
Aqui está outro ponto em que a projeção foi
surpreendentemente próxima.
Projeção
- votos
válidos: 1.945.689;
- 24
vagas;
- QE:
aproximadamente 81.070.
Resultado
- votos
válidos: 1.938.309;
- 24
vagas;
- QE
oficial: 80.763.
A diferença foi de apenas 307 votos no quociente
eleitoral.
Em termos relativos, isso representa aproximadamente
0,38%.
Portanto, a estimativa do "tamanho" do
voto válido para deputado estadual praticamente acertou o resultado.
O relatório oficial confirma também que foram 1.849.787
votos nominais e 88.522 votos de legenda.
A projeção havia estimado aproximadamente 204 mil
votos de legenda no cenário anterior, número que acabou sendo bastante superior
ao efetivamente registrado.
Esse é um dos elementos que ajuda a explicar por
que o modelo conseguiu estimar bem o total de votos válidos, mas teve
dificuldade na distribuição das cadeiras.
Uma
medida objetiva do erro nominal
Considerando os 19 candidatos efetivamente eleitos
que tiveram votação estimada nominalmente no cenário central, a diferença
absoluta média entre a projeção e a votação efetiva ficou em aproximadamente: 16
mil votos por candidato.
O erro percentual absoluto médio foi de
aproximadamente: 25,7%.
Esses números devem ser interpretados com cautela,
porque a metodologia não era uma pesquisa eleitoral tradicional e vários
candidatos ficaram fora da estimativa nominal por causa da limitação das
pesquisas utilizadas.
Ainda assim, eles permitem uma conclusão objetiva: a
projeção foi muito mais precisa para estimar o tamanho do eleitorado e o volume
de votos válidos do que para estimar a votação individual de cada candidato.
O que a
projeção efetivamente acertou?
O balanço pode ser resumido em cinco pontos.
1) Acertou o tamanho do comparecimento
Projetou 2.176.951 comparecentes.
O resultado foi 2.167.714.
Erro: 0,42%.
2) Acertou quase exatamente o
volume de votos válidos
Projetou 1.945.689.
O resultado foi 1.938.309.
Erro: 0,38%.
3) Acertou praticamente o
quociente eleitoral
Projetou aproximadamente 81.070.
O resultado oficial foi 80.763.
Diferença: aproximadamente 307 votos.
4) Acertou 19 dos 24 eleitos
entre os nomes nominalmente apresentados no cenário central
Isso corresponde a aproximadamente 79% dos
eleitos.
5) Acertou integralmente a
composição nominal da União Progressista
Os seis nomes indicados foram exatamente os seis
eleitos.
E onde a
projeção falhou?
Também é possível identificar cinco limitações
principais.
1) Subestimou fortemente Coronel
Azevedo
Foi o maior erro individual da projeção.
2) Superestimou alguns candidatos
que apareciam muito fortes nas pesquisas
Especialmente Tomba Farias, Kleber Rodrigues,
Cinthia de Allyson e Gustavo Carvalho.
3) Subestimou a força coletiva da
Brasil da Esperança
A federação conquistou sete cadeiras, contra quatro
projetadas no cenário central.
4) Não identificou quatro dos
sete eleitos da Brasil da Esperança
Foram eles:
- Isolda
Dantas;
- Divaneide
Basílio;
- Daniel
Valença;
- Ivanilson
Oliveira.
5) Não previu a sétima cadeira do
PL
Camila Araújo terminou eleita por média, enquanto a
projeção indicava apenas seis cadeiras para o PL.
O papel
das abstenções, brancos e nulos na avaliação
A comparação também mostra que não seria correto
atribuir os erros nominais à diferença entre a participação projetada e a
participação efetiva.
A participação foi muito próxima.
O cenário projetado considerava 2.176.951
comparecentes.
A realidade foi 2.167.714.
A diferença foi de apenas 9.237 eleitores.
Da mesma maneira, a projeção considerava 1.945.689
votos válidos e o resultado terminou em 1.938.309.
A diferença foi de 7.380 votos.
Portanto, a abstenção adicional em relação ao
cenário projetado não explica os grandes erros de votação individual.
O problema esteve principalmente na redistribuição
dos votos entre os candidatos.
A eleição teve 488.493 abstenções, 103.009
votos brancos e 122.474 votos nulos para o cargo de deputado
estadual.
Esse conjunto corresponde a uma parcela expressiva
do eleitorado e ajuda a explicar por que a disputa proporcional não pode ser
analisada apenas pela votação dos candidatos mais conhecidos.
Conclusão:
uma projeção que acertou o "tamanho" da eleição, mas não toda a
distribuição
O confronto entre a projeção do Sertão Potiguar e o
resultado oficial permite uma avaliação equilibrada.
Não seria correto dizer que a projeção
"acertou a eleição", porque houve diferenças relevantes na votação
individual e na distribuição das cadeiras.
Também não seria correto dizer que a projeção
"errou", simplesmente porque vários candidatos tiveram votação
bastante diferente da estimada.
O resultado foi mais complexo.
A projeção acertou com elevada precisão o tamanho
do eleitorado participante, o volume de votos válidos e o quociente eleitoral.
Também conseguiu identificar 19 dos 24 deputados
efetivamente eleitos entre os nomes nominalmente apresentados no cenário
central.
Além disso, acertou integralmente a composição
nominal da União Progressista e acertou os seis nomes que projetou para o PL,
embora tenha deixado escapar a sétima cadeira conquistada por Camila Araújo.
Por outro lado, houve erros significativos na
estimativa da votação individual, principalmente no caso de Coronel Azevedo, e
uma subestimação importante da Federação Brasil da Esperança.
O resultado final mostra, portanto, que a
transformação de pesquisas espontâneas em projeção de cadeiras é muito mais
sensível à distribuição dos votos entre os candidatos do que ao tamanho global
do eleitorado.
A própria postagem original havia feito essa
ressalva: as estimativas nominais dependiam da distribuição dos indecisos e dos
candidatos não contemplados integralmente pelas pesquisas, e a projeção das
cadeiras deveria ser entendida como condicional.
A eleição confirmou essa advertência.
O balanço final
Acerto elevado:
- comparecimento;
- votos
válidos;
- quociente
eleitoral;
- identificação
de grande parte dos eleitos;
- composição
da União Progressista;
- seis
nomes projetados do PL que efetivamente foram eleitos.
Acerto intermediário:
- PSDB/Cidadania;
- MDB;
- vários
candidatos individualmente.
Principal erro:
- subestimação
da Federação Brasil da Esperança;
- não
identificação de Isolda Dantas, Divaneide Basílio, Daniel Valença e
Ivanilson Oliveira;
- forte
subestimação da votação de Coronel Azevedo;
- superestimação
de algumas candidaturas que apareciam nas pesquisas espontâneas.
No fim, a experiência deixa uma conclusão
metodológica importante para futuras projeções do Sertão Potiguar:
é possível estimar com bastante precisão o tamanho
do eleitorado e do voto válido; já a transformação das intenções espontâneas em
votação nominal e, principalmente, em cadeiras exige uma modelagem mais
sofisticada, incorporando todos os candidatos, votos de legenda, força das
nominatas e distribuição das sobras.
Foi exatamente nas etapas mais difíceis - distribuir
os votos entre os candidatos e transformar essa distribuição em cadeiras -
que apareceram os principais desvios entre a projeção e as urnas.
Fonte dos resultados oficiais: Justiça Eleitoral/TRE-RN,
totalização das Eleições 2026.
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