* Fonte: ANPR
A Associação Nacional dos Procuradores da República vem a público
repudiar veementemente decisão desta semana do Conselho Nacional do
Ministério Público (CNMP), que condenou um membro do MPF à pena de
demissão, convertida em suspensão de 90 dias, por ter vazado informações
alegadamente sigilosas em entrevista coletiva.
Durante o julgamento,
proferiram-se críticas levianas e irônicas não somente ao procurador da
República envolvido no caso, como àqueles responsáveis pelas
investigações da Operação Monte Carlo. Sob a exaurida cantilena de que
estaria ocorrendo uma “espetacularização” da atuação do Ministério
Público Federal, decidiu-se de forma a se tentar amordaçar, de maneira
generalizada, os responsáveis por investigações que desmantelaram
organizações criminosas poderosas.
Para os procuradores da República, o entendimento majoritário do
Conselho é um insulto à atuação idônea, austera e transparente dos
membros do MPF. Ex-assessor do senador Demóstenes Torres, o conselheiro
Tito Souza do Amaral, na sua manifestação, sugeriu “pena de morte” aos
procuradores da República que atuam na operação Monte Carlo, em face de
vazamentos à imprensa. Vale ressaltar que o próprio Ministério Público
Federal em Goiás já requisitou inquérito policial para investigar os
vazamentos. É importante deixar claro, porém, que após o desencadeamento
da ação, as informações foram destinadas a todas as partes envolvidas,
num total de 80 investigados.
É insólito que justamente um membro do Ministério Público (do Estado
de Goiás) com assento no Conselho tenha escolhido desacreditar o
trabalho de procuradores da República, que conseguiram desmantelar um
grupo extremamente profissionalizado e infiltrado nas entranhas do
Estado de Goiás. Neste furacão de denúncias por que passa o país, o
correto seria que um membro do CNMP buscasse mostrar aos cidadãos que
ainda há instituições que, a despeito dos mais diversos percalços,
encontram-se atuantes na desarticulação de organizações criminosas, e
por maioria de razão quando se suspeita de infiltração da atividade
criminosa até mesmo no âmbito do próprio Ministério Público. Indignar-se
contra vazamentos de atividades ilícitas deveria ficar a cargo da
defesa do criminoso; a sociedade indigna-se com as atividades ilícitas.
Para os membros do Ministério Público Federal, é irrelevante conferir
um viés sensacionalista a um caso tão grave, em que o Estado - e, em
consequência, a sociedade - encontravam-se à mercê de um grupo
criminoso. Os procuradores da República não irão retroceder nem se
intimidar por manifestações avessas ao espírito republicano e, sem
jamais secundar atividades escusas ou adotar expedientes diversionistas,
continuarão, dentro de suas atribuições, a defender inflexivelmente a
ordem pública, lutando pela defesa da sociedade.
Confira aqui o áudio no sítio do CNMP.
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