A hierarquia de comandos em
várias circunstâncias da vida é tão corriqueira que, às vezes, não nos damos
conta de que estamos obedecendo a regras e ordens o tempo todo.
Quem não obedece aos
comandos ou regras e faz sempre o que lhes dá na cabeça são, geralmente,
apontados como portadores de problemas mentais.
Não se adequam as
convenções socialmente estabelecidas como aceitáveis e por isso recebem
tratamento.
Os “ditos” normais quando
transgridem as regras são apontados como criminosos e são chamados à
responsabilização.
Então, subvertendo-se a
questão: quem pode não obedecer a nada, nem a ninguém?
Quem não tem juízo e/ou
transgressores.
Manda quem pode e este é o
mandamento principal da civilização, pois provém de seu ordenamento jurídico.
A Lei define o que pode e o
que não pode. Assim, os cidadãos podem fazer tudo, desde que a Lei não proíba.
Nas sociedades democráticas,
como o Brasil, muitos indivíduos, voluntariamente, interessam-se pela
participação mais ativa na arena política.
Como podem fazer isso?
Ingressando,
voluntariamente, num partido político.
Como os partidos políticos
resolvem suas questões INTERNAS? Existindo posições divergentes entre grupos, a
solução democrática é a realização de uma convenção.
Democraticamente, os
vencedores estabelecem sua agenda e os ‘vencidos’ acompanham o resultado ou
esperam o momento adequado para buscar novos horizontes políticos.
A boa prática política
reserva aos descontentes o direito de divergir como cidadãos, mas requer o bom
senso para ações mais contundentes daqueles que têm responsabilidades institucionais
com o partido que lhes deu guarida.
Em outros termos: atitudes
mais veementes devem ser tomadas após o “calor do momento”. A ação intempestiva
só interessa aos adversários no campo político.
Já o cidadão que não tem
filiação partidária ou mesmo que tenha filiação, mas não atua diretamente, pode
e deve sempre seguir suas convicções e impressões pessoais.
Aqueles que têm também responsabilidade
institucional devem agir com maior cautela e no momento certo.
Não é “falha de caráter”
seguir a regra do jogo democrático, pode-se não gostar do resultado, podem-se
buscar novos horizontes, mas não se pode esquecer que tudo tem seu tempo.
Em quase todos os momentos
de nossas vidas somos compelidos a realizar avaliações de nossos atos e, em
muitas circunstâncias, movidos por questões alheias aos nossos interesses
pessoais, temos que retroagir, reavaliar e, até, mudar de direção.
Quem quer “liberdade” plena
na política não se filia a partido nenhum, pois se submeter aos ditames do
partido é a regra.
Ilustro com apenas alguns
exemplos:
Um dos fundadores do PT, o deputado federal
Domingos Dutra (PT-MA), anunciou durante edição do movimento Diálogos pelo
Maranhão no município de Milagres do Maranhão, que deixará o partido.
Ao relembrar sua trajetória de lutas ao lado de
Manoel da Conceição, o deputado se emocionou ao constatar que não pode
permanecer na legenda que já há algum tem apoia o grupo Sarney.
“Eu estou saindo do PT daqui a dois meses. Me
emociono muito com isso porque vou romper uma história de 33 anos, mas não
posso ficar num partido dominado pelo Sarney. Por honestidade e identidade não
posso ficar no partido que ajudei a construir vendendo camiseta, vendendo feijoada
e andando a pé”, relembra.
Emocionado com a impossibilidade de permanecer no
partido, Dutra relatou também a trajetória quer trilhou ao lado de Manoel da
Conceição.
Quem lembra a situação de
Crispiniano Neto em Mossoró quando sua candidatura a prefeito foi “imolada” por
destoar da orientação estratégica do PT nacional?
O deputado maranhense saiu
do PT no tempo adequado. O petista mossoroense lutou por sua candidatura,
depois resignação e silêncio (creio que ainda milita no partido).
Dutra não perdeu sua
história, não deixou de ser líder, assim como Crispiniano. Decisões diferentes,
mas tomadas no tempo oportuno.
Citei tais exemplos por que
tiveram enorme repercussão, mas poderia citar tantos outros...
Será que o PT “tratorou”
dois de seus expoentes (Maranhão e Mossoró) por que tinha o “rabo preso” com
Sarney ou com o grupo de Sandra Rosado?
Será que todos que decidiram
apoiar Henrique no RN tomaram tal decisão por que teriam “rabos presos”?
Prometo
voltar ao assunto.
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