terça-feira, 19 de agosto de 2014

POR FALAR EM OBEDIÊNCIA...

A hierarquia de comandos em várias circunstâncias da vida é tão corriqueira que, às vezes, não nos damos conta de que estamos obedecendo a regras e ordens o tempo todo.

Quem não obedece aos comandos ou regras e faz sempre o que lhes dá na cabeça são, geralmente, apontados como portadores de problemas mentais.

Não se adequam as convenções socialmente estabelecidas como aceitáveis e por isso recebem tratamento.

Os “ditos” normais quando transgridem as regras são apontados como criminosos e são chamados à responsabilização.

Então, subvertendo-se a questão: quem pode não obedecer a nada, nem a ninguém?

Quem não tem juízo e/ou transgressores.

Manda quem pode e este é o mandamento principal da civilização, pois provém de seu ordenamento jurídico.

A Lei define o que pode e o que não pode. Assim, os cidadãos podem fazer tudo, desde que a Lei não proíba.

Nas sociedades democráticas, como o Brasil, muitos indivíduos, voluntariamente, interessam-se pela participação mais ativa na arena política.

Como podem fazer isso?

Ingressando, voluntariamente, num partido político.

Como os partidos políticos resolvem suas questões INTERNAS? Existindo posições divergentes entre grupos, a solução democrática é a realização de uma convenção.

Democraticamente, os vencedores estabelecem sua agenda e os ‘vencidos’ acompanham o resultado ou esperam o momento adequado para buscar novos horizontes políticos.

A boa prática política reserva aos descontentes o direito de divergir como cidadãos, mas requer o bom senso para ações mais contundentes daqueles que têm responsabilidades institucionais com o partido que lhes deu guarida.

Em outros termos: atitudes mais veementes devem ser tomadas após o “calor do momento”. A ação intempestiva só interessa aos adversários no campo político.

Já o cidadão que não tem filiação partidária ou mesmo que tenha filiação, mas não atua diretamente, pode e deve sempre seguir suas convicções e impressões pessoais.

Aqueles que têm também responsabilidade institucional devem agir com maior cautela e no momento certo.

Não é “falha de caráter” seguir a regra do jogo democrático, pode-se não gostar do resultado, podem-se buscar novos horizontes, mas não se pode esquecer que tudo tem seu tempo.

Em quase todos os momentos de nossas vidas somos compelidos a realizar avaliações de nossos atos e, em muitas circunstâncias, movidos por questões alheias aos nossos interesses pessoais, temos que retroagir, reavaliar e, até, mudar de direção.

Quem quer “liberdade” plena na política não se filia a partido nenhum, pois se submeter aos ditames do partido é a regra.

Ilustro com apenas alguns exemplos:

Um dos fundadores do PT, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), anunciou durante edição do movimento Diálogos pelo Maranhão no município de Milagres do Maranhão, que deixará o partido.
Ao relembrar sua trajetória de lutas ao lado de Manoel da Conceição, o deputado se emocionou ao constatar que não pode permanecer na legenda que já há algum tem apoia o grupo Sarney.
“Eu estou saindo do PT daqui a dois meses. Me emociono muito com isso porque vou romper uma história de 33 anos, mas não posso ficar num partido dominado pelo Sarney. Por honestidade e identidade não posso ficar no partido que ajudei a construir vendendo camiseta, vendendo feijoada e andando a pé”, relembra.
Emocionado com a impossibilidade de permanecer no partido, Dutra relatou também a trajetória quer trilhou ao lado de Manoel da Conceição.

Quem lembra a situação de Crispiniano Neto em Mossoró quando sua candidatura a prefeito foi “imolada” por destoar da orientação estratégica do PT nacional?

O deputado maranhense saiu do PT no tempo adequado. O petista mossoroense lutou por sua candidatura, depois resignação e silêncio (creio que ainda milita no partido).

Dutra não perdeu sua história, não deixou de ser líder, assim como Crispiniano. Decisões diferentes, mas tomadas no tempo oportuno.

Citei tais exemplos por que tiveram enorme repercussão, mas poderia citar tantos outros...

Será que o PT “tratorou” dois de seus expoentes (Maranhão e Mossoró) por que tinha o “rabo preso” com Sarney ou com o grupo de Sandra Rosado?

Será que todos que decidiram apoiar Henrique no RN tomaram tal decisão por que teriam “rabos presos”?

Prometo voltar ao assunto.

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