A "crise política", de governabilidade ou seja lá que nome se queira utilizar tem, a meu juízo, um aspecto fundamental: o PMDB percebeu que se não abrisse os braços seria mastigado, engolido e excretado pelo PT, com a ajuda de Kassab.
Alguns atos visíveis:
- a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, cujo resultado foi um desastre para a estratégia;
- a 'fritura' dos caciques do PMDB (Cunha e Renan) na chapa quente do 'petrolão';
- a criação do partido-satélite do PSD que serviria para esvaziar o PMDB. Aliás, o TSE apreciará a criação do PL em breve;
Além de inúmeras outras movimentações de menor potencial e as que não são publicizadas.
Pois bem, o PMDB se movimentou e esticou a corda, juntou-se a crise econômica e o derretimento do apoio popular ao governo, tudo junto e misturado, e Dilma não teve alternativa: "pediu penico" e, sem alternativas, decidiu entregar os anéis para não perder o pescoço.
O PMDB abiscoitou o ministério da Saúde, sustentou Henrique no Turismo e quer o ministério da Integração Nacional. Levará o que quiser.
Vamos descer e olhar o Buraquistão (antigo RN) mais de perto. O PSD é comandado pelo governador que venceu na última eleição, ninguém menos, do que a personificação do PMDB no RN: Henrique Alves, o Bacurau-Mor.
Dizem que o Bacurau é um ave com hábitos noturnos, mas tem que cortar dobrado para escapar do "bote" armado pelo governador.
Robinson faz o que Henrique também faria (eheheh).
O atrativo é o mesmo e vários "aliados" já fizeram a travessia e estão com o governador para o que der e vier (ao menos até a próxima mudança de inquilino na governadoria).
O Bacurau-Mor observa a cena e, a meu juízo, aguarda o melhor momento para abrir os braços e não ser engolido.
Alguns por inocência e outros por conveniência defendem a "tese" que o Bacurau-Mor foi abduzido e substituído por um clone lerdo e incapaz de enxergar o que se passa na política estadual.
Pode-se dizer muita coisa de Henrique, menos que o homem não entende do "riscado" e como não acredito em abdução, por lógica, concluo que não prosperará qualquer iniciativa, em nenhum município, que não se compatibilize com o projeto político do Bacurau-Mor para 2018.
E que projeto é esse? O mesmo de 2014.
Vamos descer mais um pouco e olhar o que acontece em Pau dos Ferros.
Fabrício Torquato se filiou ao PSD e declara total sintonia com o governador, com o deputado federal, Fábio Faria (filho do governador) e Galeno Torquato, principal apoiador de Robinson no Alto Oeste.
O PMDB local é comandado pelo ex-prefeito, Nilton Figueiredo e tem o deputado estadual Gustavo Fernandes como fiador das decisões.
Dizem que Fabrício e Nilton, com anuência de Gustavo, já teriam fechado uma aliança para as eleições do próximo ano. Eu acredito que tal aliança já esteja sacramentada entre as partes citadas, mas isso não quer dizer que o PMDB estará no palanque de Fabrício.
Admitindo-se a aliança Fabrício/Nilton e a vitória na eleição de 2016.
Para Henrique seria o mesmo que conquistar uma "vitória de Pirro". Fabrício tem compromisso com Robinson. Nilton apoiou Robinson no segundo turno de 2014 e não teria motivo para se indispor com o prefeito reeleito para apoiar Henrique em 2018.
Outro efeito. Ao lavar as mãos e aceitar passivamente a aliança PSD/PMDB, automaticamente e por antecipação, Henrique estaria menosprezando e descartando o apoio de Leonardo/Getúlio e seus correligionários para 2018.
Faz sentido?
De outro ângulo.
Henrique não aceitaria a posição passiva e enquadraria o PMDB local.
A aliança Fabrício/Nilton poderia ocorrer, mas sem a participação direta do PMDB.
Mesmo que Fabrício consiga a reeleição, tem-se que o Bacurau-Mor preservaria o apoio de Leonardo/Getúlio e seus correligionários para 2018. Mesmo perdendo, ganharia.
E ainda tem uma questão importante: quem pode descartar, aprioristicamente, a vitória de Leonardo?
Considero Henrique exímio jogador e, na minha opinião, ele tem as seguintes opções:
- perde-perde;
- perde-ganha;
- ganha-ganha.
Façam suas apostas!
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